sábado, 29 de setembro de 2018

DOIS FILHOS VERMELHOS


DOIS FILHOS VERMELHOS


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A cena se deu na Ă©poca da ditadura militar,   na Maçonaria de Itapetinga, sudoeste baiano. Velhos amigos confraternizando em dia especial para os maçons.  Filhos estudando em Salvador. Época do AI5, repressĂŁo, prisões, mortes. O assunto comunismo e os vermelhos, os comunistas, virou tabu, mesmo para quem tinha algum “subversivo” na famĂ­lia.
De repente o velho GĂ©rson,  pai de Gerson Filho tido como vermelho, um amigo e irmĂŁo maçon se aproximou do pai, olhou em volta e perguntou em voz baixa:
-Fala a verdade. Tu também tem um filho vermelho!
-Eu tenho Ă© dois filhos vermelhos!  respondeu o pai se referindo ao mano Beto e a mim, olhando em volta cauteloso pois a barra era muito pesada para os considerados subversivos. Se pegos em ação, era caixĂŁo e vela.
Confraternizaram cĂşmplices e o pai que nĂŁo gostava do comunismo mas se dava bem com os comunistas e seus familiares,  contou ao amigo Gerson, que o filho mais velho era paraquedista do exĂ©rcito em treinamento na selva amazĂ´nica para combater guerrilhas e guerrilheiros.
-E se acontecesse um confronto entre os irmĂŁos?  quis saber o velho GĂ©rson.
Meu pai que era um democrata de verdade,  tinha orgulho igual dos filhos e achava tudo aquilo natural e admirável de algum modo, nĂŁo se deu por achado:
-Vou lá e paro a guerra, a guerrilha, o que for, tiro os meninos de lá e depois eles continuam se quiserem.

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